Foto: Ray Rae (Venice – California)
A música e o skate andam juntos desde o surgimento do esporte, inventado na Califórnia, mais precisamente em Los Angeles, no início da década de 60.
Em todo o mundo, diversos skatistas têm uma forte relação com o som e músicos com o esporte de rodinhas.
Por isso, resolvemos bater um papo com Alvaro Porque, skatista profissional, que reside na Califórnia desde os anos 80. Ele nos contou como a música e o skate estão ligados em sua vida.
1. O que nasceu primeiro? Sua paixão pela música ou pelo skate?
A.P. – Desde as primeiras lembranças, os dois sempre estiveram lado-a-lado. Porém, tenho que admitir que a música veio primeiro.
Meus pais tinham um toca discos, uma vitrola, e eu não via a hora de voltar da escola pra ouvir som a tarde inteira.
Roberto Carlos, Chico Buarque, Supertramp, Elvis Presley, John Denver, Simon e Garfunkel, Jesus Christ Superstar, primeira ópera rock de Andrew Lloyd e Tim Rice, entre outros.
Depois, minha mãe apareceu com o toca-fitas e eu podia fazer minha própria mixtape e copiar música dos amigos.
2. Qual a importância da música nas sessions e no seu dia-a-dia?
A.P. – A música é muito importante no dia-a-dia, essencial nas sessions de skate. Me dá a inspiração, motivação e determinação que preciso nas pistas.
Desde o momento em que acordo, durante o banho, dirigindo, ou relaxando em casa depois da session. A melhor invenção para mim, até hoje, foi a rádio de internet Pandora, na qual faço uma própria estação com minhas bandas favoritas sem nenhum custo.
Aí, é só deixar rolar o dia inteiro, seja no computador, no meu celular acoplado no carro ou em speakers.
3. Quando você começou a andar de skate, quais foram as suas primeiras influências musicais?
A.P. – Em 1978, a cena punk rock era muito forte em Londres e Los Angeles. Se encaixava perfeitamente com o estilo de andar de skate. Anarquia, rebeldia e agressividade eram as palavras.
Eu, Ari Jumonji e Enzo éramos a geração mais nova, tentando obter as nossas músicas favoritas dos skatistas mais velhos que traziam suas fitas.
Esses sons energizavam as sessions da Wave Park. Bruno Leonardo, Adherbal (Billy), Jun Hashimoto, Formiga, Lumbra, Ralph, Jofa disseram: ‘Pelo amor de Deus, grava essa fita pra mim?’
A gente era moleque e nem sabia onde arrumar, não tinham esses discos nacionais no começo, só importado.
Mas as principais bandas foram Buzzcocks, Sex Pistols, 999, Sham 69, Cockney Rejects, Stiff Little Fingers, Undertones, The Ramones, Devo, B 52’s, Oingo Boingo, entre outras.
4. E quais são os seus sons favoritos na hora de dropar?
A.P. – Ultimamente, tenho ouvido muito Lil Wayne, Lil Wayne and Birdman, SPM do Texas, Bad Religion, e muito Good Riddance, influência do meu amigo Badauí que me viciou.
5. Como é viver e andar de skate na Califa. Como é essa ligação entre o SK8 e a música por aí?
A.P. – Morar em Los Angeles sempre fez parte de minha vida e do meu irmão Alex Pois É! Estamos aqui desde os anos 80.
Posso dizer que é um sonho poder fazer parte da cena local e ter a oportunidade de apreciar as pistas daqui que são ótimas.
Ando de skate com meu amigo Ben Harper, Jeremy do Meet me at the Pub, Pat Muzingo da banda Junkyard, entre muitos outros. Skate e boa música andam sempre juntos.
Todos fazemos parte do mesmo grupo, sem distinção, todos com as mesmas ideologias e muita diversão, é lógico!!!!